sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E termina 2010

Após uma longa ausência (é... quem mandou querer fazer uma outra faculdade...) venho fazer um balanço do ano de 2010. Só tenho uma palavra pra definir esse ano que termina: Mudança 
 
Por onde começar... Bem, entrei na faculdade e realizei meu sonho. Minha nossa! Eu tinha esquecido de como é trabalhoso começar do zero uma faculdade, estudar feito louca por causa de uma disciplina, se desesperar por causa de outra, trabalhos, seminários, enfim, uma maratona em cima dos livros. Realizar um sonho tem seu preço.



Não bastasse ter que voltar a estudar feito uma louca, veio a outra grande novidade: o casamento. Tudo bem que veio depois de um test drive de um ano, mas veio, né? Antes tarde do que nunca. Por isso eu digo para as minhas amigas solteiras, persistência é a palavra (claro que uma faculdade e amiguinhos de 17 anos fazem o companheiro pensar se quer mesmo deixar a mulher livre e desempedida).



Veio a casa:
Foi uma loucura, mudança, caixas, poeira, sujeira, faxina, dor de cabeça, mais caixas e um problemão, o ônibus que nós pensávamos que passava perto da nossa casa, só passa em alguns horários perto daqui, fora esses horários específicos, temos que andar um bocado para ir até a parada. Até aí tudo bem, mas pro nosso bairro só tem ônibus até as 20:10, detalhe que tem dias que eu saio da facu 22:00. Tome táxi e o pior de tudo mototáxi. Eu tenho verdadeiro pavor de andar de moto, mas foi o jeito. Pra melhorar um pouco mais, pra virmos pra nossa casa temos duas opções de ladeira que, falando sério, não sei qual é a pior. Fora os meus adoráveis amiguinhos de todas as horas: baratas, uma porção delas. 
Mas veio a superação: consegui matar uma barata!!!!! Tudo bem que usei um pouco de imaginação, criatividade e desespero: coloquei uma bota do edmar num cabo de vassoura e acabei com a raça da barata.


Fiquei triste com toda a dificuldade, não posso negar, mas é a nossa casa, não estamos pagando aluguel e sim algo que daqui a alguns muitos anos será nosso (milagres do financiamento da caixa, infinitas prestações que eles juram que diminuem, será???) Só nos resta esperar pra ver. 


Mas a vida é uma caixinha de surpresas e enquanto eu estava aqui sozinha, enfrentando baratas e outros bichos, o Edmar estava em Fortaleza, em segredo, comprando um carro. Agora imaginem qual a minha surpresa quando chego lá em Fortaleza e vejo meu marido com um carrinho que vai resolver todos os nossos problemas de distância e dificuldades com transporte!!!! Como eu disse, mudança é  palavra desse ano. Ah!! E ainda ganhamos um filhote de pastor alemão pra completar as surpresas de fim de ano. 

Moral da história: vale a pena trazer à tona aquela criança que existe dentro de nós que acredita em Papai Noel e que não entende o que é impossível porque ele, às vezes, acontece. (posso dizer isso com toda a propriedade porque
método sutil de persuasão para casar
quem viu o Edmar há alguns anos nunca acreditaria 
que ele fosse se casar, tudo bem que foi necessário 
um pouco de persuasão sutil, mas deu certo!). Feliz início de ano para todos.




Yara

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Merry Christmas


Caríssimos,


Uma das coisas mais bonitas e engrandecedoras no ser humano é a capacidade de agradecer. Ela é a prova maior de que não podemos viver sozinhos no mundo e nem devemos. Precisamos uns dos outros para enfrentar o dia a dia cada vez mais louco que nos bate à porta. E é com esse espírito de gratidão que tenho refletido o fim de mais um ciclo... de mais um ano...


Cada dia eu fico mais convencido que Deus tem posto em meu caminho os mais diferentes tipos de pessoas para que eu posso crescer com elas e crescer ao lado delas. Claro, nem sempre são pessoas fáceis de lidar, mas é como diz a frase: “triste do espinho se não tivesse a rosa”. Triste de nós se não tivéssemos pedras no meio da estrada, como iríamos construir nossos degraus sem essas pedras?


Hoje me encontro em uma posição privilegiada. Tenho um carro, uma casa, uma esposa, um emprego. Tenho alunos, orientados, colegas e amigos de trabalho. Tenho uma avó no céu, lembranças saudosas, mas felizes, tenho minhas famílias... Acima de tudo tenho Fé em meu coração: em Deus, nos amigos, nos alunos, nas pessoas, no mundo...

Claro que me falta muito, a caminhada é longa, árdua e contínua. Revendo o que escrevi no blog no dia do meu aniversário (meus arrependimentos, minhas conquistas, meus planos) noto o quanto já andei e o quanto falta (falta-me, inclusive uma Fé gratuita no Homem). No entanto, vislumbrando tudo isso, o que fui, o que sou e o que quero ser eu chego a conclusão cada vez mais forte que nada se faria sem as pessoas que estão e estiveram do meu lado.

Amigos, professores, família, colegas, alunos... todos e cada um contribuíram para que eu estivesse onde estou agora. Alguns mais outros menos. Porém a cada um é dado um pedacinho de mim como forma de agradecimento nessas humildes linhas. Nessa estranha, porém maravilhosa, jornada que é viver, meu maior prazer foi ter compartilhado um trechinho, por menor que seja com vocês.


Agora me vejo diante de encruzilhadas. Devo fazer minhas próprias escolhas. Fazer jus a Fé que foi depositada em mim, que foi construída em mim. Irei seguir em frente buscando construir um mundo melhor. Não sou idealista, nem otimista. Não foi isso que aprendi com vocês. Aprendi, nas palavras do poeta a ser um realista esperançoso que faz sua parte. Foi isso que aprendi com vocês. Por isso que eu, hoje, digo meu muito obrigado e expresso meu desejo, nesse fim de ciclo e início de um novo ciclo, que vocês recebam de volta tudo isso que me foi ofertado: Fé, Carinho... tudo... e assim tenham forças para sempre seguir em frente.


Ed e Yara

domingo, 19 de dezembro de 2010

Carta a Milton Dias

Caro seu Milton,

Escrevo-lhe novamente para lhe falar sobre minha viagem a nossa querida terra natal, Massapê. Não havia parado para imaginar como seria difícil voltar depois de tantos anos - ainda mais agora, que minha Queridinha se foi... O primeiro choque foi logo com a entrada: a cidade crescera muito mais que o esperado: o Estado chegou lá sob a forma de uma delegacia novíssima e localizada muito antes de onde, para mim, a cidade começava: o Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Este, por sua vez está entregue ao esquecimento. A imagem esculpida na própria árvore parece só ser lembrada na hora de se pedir algo...

Acho que o senhor não chegou a conhecer o Santuário, mas faz parte de minhas lembranças mais antigas. Data de 1988 e eu lembro quando era apenas a imagem na árvore.

De novo o progresso tem deixado marcas na cidade que, para quem retorna, mais parecem máculas às nossas tenras lembranças: as lojas,os hotéis, as gentes... tudo novo demais, diferente demais, variado demais....

Ao menos a igreja estava lá. Não a de Santa Úrsula, mas a de minhas lembranças (perdoe-me). A pracinha dos patinhos continua com os patinhos, mas não pude ir ver se ainda havia os cabras que ficavam lá, à noite, vendo TV. Não pude, estava fragilizado demais com as coisas que aconteceram.

A casa...

Ver a casa de minha infância transformada em um local de curso (uma ONG ou coisa assim) foi uma facada no peito. Mal tive coragem de entrar... não era mais minha casa... não era mais o lugar onde eu escutava minha Querida vó brigando comigo por correr dentro de casa, não era mais o lugar onde eu me escondia de baixo da mesa com minha irmã mais velha por medo dos morcegos, não era mais o lugar onde eu sempre via minha vó... não era mais a "mansão do Coronel Juca Aguiar"... era apenas mais um "centro cultural".

Ah, seu Milton... mal sabia eu que ainda me esperava...

Meu pai, como um verdadeiro Arruda que é, chegou em Massapê e, comigo e minha irmã caçula, foi fazer a perigrinação pelas casas dos parentes - não todos, pois são inúmeros, mas aqueles que deu tempo. Ver todas aquelas pessoas atingidas pelo tempo me fez lembrar que um dia, quando eu tiver meus filhos, eles poderão não estar mais aqui... serão apenas fotos ou histórias - quando muito. Da mesma forma que meu pai faz, quando fala do "Velho Messias", eu terei que fazer...

Dói, seu Milton, perceber que nossos filhos não conhecerão parte de sua história: onde seus pais viveram, onde foram crianças felizes... Queria muito que minha Querida tivesse vivido para conhecê-los... agora ela ficará na lembrança da única neta, minha sobrinha, que terá a missão de salvaguardar as memórias dela... Meu Deus... que pessoa maravilhosa meus filhos deixarão de conhecer... quantas pessoas...

Agora, devo lhe confessar, minha maior dor foi causada pela visão da única irmã viva de minha vó... cega, mal cuidada, abandonada pelos sobrinhos... Ah, seu Milton, apenas pele e osso, pele e osso mesmo... Não quero chorar, mas é difícil... só me vem à lembrança as palavras da vovó "Não abandonem minhas irmãs, por favor"... como ela ficaria mortificada com tudo isso... Sabe, me senti um inútil sem saber o que fazer. Minha mãe tentou trazê-la, mas os sobrinhos nunca deixaram e ela acaba ficando de mãos atadas... Sei que posso pedir a Deus por ela, como tanto pedi por minha Queridinha, mas seria o suficiente?

Agora estou em Fortaleza, meio que contanto os dias para voltar para minha casa no Crato. Mas o vazio deixado por tudo isso demorará a ser preenchido. Fica apenas o conforto que meu padrinho de Crisma, Gilson, me deu: "Com o tempo a tristeza passa e o que fica serão as lembranças mais doces que você poderia desejar ter".

Despeço-me, seu Milton, pedindo desculpas por minha fraqueza em me conformar com a passagem do tempo e as consequências que ela traz.

Abraços,

Higo (também conhecido como Edmar)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

era uma casa muito engraçada...

mudamos de ares, finalmente....
o forninho vai deixar saudades, principalmente da vista da janela ao amanhecer e também da praticidade de sua localização
mas estamos em busca de nosso lar (perdoem o trocadilho), um lugar em que possamos continuar vivendo bem
eis a casa no centro da foto
a de muro amarelo
a mudança foi terrível, como toda mudança costuma ser...
arrumar caixas e mais caixas
descer escadas
desmontar móveis
etc etc
pense no sufoco
(vou deixar a Yara contar os detalhes, ela escreve melhor)
agora tome tempo pra arrumar tudo...

ed